por Paulo Faitanin – Instituto Aquinate/UFF.
1. Introdução: A via mística inicia-se no homem com a noite do espírito, onde do escuro do espírito só se contempla a luz do Espírito Santo. O ápice da mística consiste na contemplação, pelo auxílio da graça infusa. Embora o Espírito possa causar esta iluminação de ordem sobrenatural sem supor a prévia purificação do espírito, ordinariamente aquela se segue a esta, pois, como já se disse, assim como o corpo naturalmente ordena-se à alma, a ascética naturalmente orienta-se para a mística. Por isso, a graça supõe o exercício pleno da natureza humana, sobretudo da razão e das faculdades que lhe são subordinadas.
1. Introdução: A via mística inicia-se no homem com a noite do espírito, onde do escuro do espírito só se contempla a luz do Espírito Santo. O ápice da mística consiste na contemplação, pelo auxílio da graça infusa. Embora o Espírito possa causar esta iluminação de ordem sobrenatural sem supor a prévia purificação do espírito, ordinariamente aquela se segue a esta, pois, como já se disse, assim como o corpo naturalmente ordena-se à alma, a ascética naturalmente orienta-se para a mística. Por isso, a graça supõe o exercício pleno da natureza humana, sobretudo da razão e das faculdades que lhe são subordinadas.
A mística assegura-se basicamente pela contemplação, fundamento da união mística com o Amor1. Enfim, a mística é a docilidade da alma ao Espírito Santo, por meio da qual se obtém a contemplação, que se dá mediante a infusão de graças e dons que revelam à alma os mistérios da fé, estabelecendo-lhe, por uma via unitiva, sua união com Deus, a partir da qual podem lhe advir, ainda que não necessariamente, outras graças extraordinárias, como as visões e revelações que, às vezes, acompanham a contemplação infusa.
2. Difere da ascética? Três são os graus de intensidade com que a caridade se estabelece na alma humana: principiante, proficiente e perfeita. Aqueles três graus da caridade constituem as três idades da vida interior do espírito. Eles estão correlacionados às duas vias de perfeição: a via ascética2, de purificação e aperfeiçoamento, a qual pertencem os principiantes e os proficientes, e a via mística3, de contemplação e união com a caridade divina, a qual pertencem os perfeitos. Estas duas vias são os acessos comuns à perfeição da vida espiritual.
2. Difere da ascética? Três são os graus de intensidade com que a caridade se estabelece na alma humana: principiante, proficiente e perfeita. Aqueles três graus da caridade constituem as três idades da vida interior do espírito. Eles estão correlacionados às duas vias de perfeição: a via ascética2, de purificação e aperfeiçoamento, a qual pertencem os principiantes e os proficientes, e a via mística3, de contemplação e união com a caridade divina, a qual pertencem os perfeitos. Estas duas vias são os acessos comuns à perfeição da vida espiritual.
A ascese é assegurada fundamentalmente pela abstinência, fundamento de muitas outras virtudes: jejum, castidade, penitência, mortificação, abstendo-se até das coisas mística lícitas para entregar-se mais livremente ao serviço de Deus 4. Enfim, a ascese é a prática de purificação da alma, mediante a renúncia dos bens exteriores. Isso não seria possível sem a disciplina do corpo, com relação aos prazeres. Esta reta ordenação da alma pelo corpo ao verdadeiro bem se dá porque a inteligência iluminada pela graça discerne a verdade e influencia a vontade fortalecendo-a quanto ao fim a ser almejado, ao mesmo tempo em que evita o mal e orienta e corrige os exageros das paixões. Como se trata de um gradativo crescimento espiritual, aqueles que possuem o grau principiante da caridade, se enquadram na via ascética, onde procuram a purificação, progridem na caridade e demais virtudes, culminando com o recebimento de outros dons.
Notas
1 TOMÁS DE AQUINO. STh. II-II, q.184, a.3, ad 3.
2 A palavra ascética ocorre apenas uma vez em todo o Corpus Thomisticum [Sententia Ethic., lib. 9 l. 10 n. 15.] e significa purificação.
3 A palavra mystica ocorre muitas vezes no Corpus Thomisticum e se refere: ao revelado, ao
secreto [Sententia Ethic., lib. 3 l. 3 n. 12], ao oculto [De div. nom. proemium], ao que excede o
nosso intelecto [De div. nom., c.2, lec.4] e à contemplação [Super Sent., lib.1 d.3, q.1, a.1,
s.c.2].
4 TOMÁS DE AQUINO. STh. II-II, q.84, a.3, ad 3.
Notas
1 TOMÁS DE AQUINO. STh. II-II, q.184, a.3, ad 3.
2 A palavra ascética ocorre apenas uma vez em todo o Corpus Thomisticum [Sententia Ethic., lib. 9 l. 10 n. 15.] e significa purificação.
3 A palavra mystica ocorre muitas vezes no Corpus Thomisticum e se refere: ao revelado, ao
secreto [Sententia Ethic., lib. 3 l. 3 n. 12], ao oculto [De div. nom. proemium], ao que excede o
nosso intelecto [De div. nom., c.2, lec.4] e à contemplação [Super Sent., lib.1 d.3, q.1, a.1,
s.c.2].
4 TOMÁS DE AQUINO. STh. II-II, q.84, a.3, ad 3.

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